Aposentar na Previdência Privada (Guia Completo)

Com a incerteza da situação política e financeira do Brasil, a reforma previdenciária e a insegurança que o brasileiro vem vivenciando, poupar é palavra de ordem, e previdência privada se tornou um assunto em evidência.


Se quer saber tudo sobre previdência privada, taxas cobradas, planos, tipos de tabelas, se vale a pena ou não, continue lendo. Preparamos um artigo completo.

O que é Previdência Privada

A previdência privada funciona como uma poupança forçada, onde o cliente aplica seu dinheiro para resgatá-lo no futuro.

É um plano de previdência aberto, um tipo de aposentadoria complementar, que não está relacionada ao sistema do INSS (Instituto Nacional de Seguro Social).


Nesse tipo de previdência, o segurado pode escolher com qual valor irá contribuir, optar pelo regime tributário (se VGBL, ou PGBL) e por quanto tempo.

Além disso, o valor investido em um plano de previdência privada pode ser resgatado pelo contribuinte a qualquer momento, optando também por esperar o final do período do contrato, por sacar todo o dinheiro, receber parcelas mensais durante um período determinado ou receber parcelas mensais vitalícias.

Diferenças entre Previdência Privada e INSS

A principal diferença entre previdência privada e INSS é que , na previdência privada você tem a possibilidade de sacar o dinheiro investido, assumindo os riscos de possíveis perdas, a qualquer tempo. Além disso, na previdência privada, todo o dinheiro aplicado será seu, comado aos juros de acordo ao plano de previdência escolhido, sem teto de pagamento.

Já no INSS, existe um teto limite de pagamento e você perde tudo que aplicar a mais. além disso, só poderá ter acesso a esse dinheiro quando se aposentar, uma quantia mensal, sem opção de receber o total de uma vez.

O que é PGBL e VGBL?

PGBL é a sigla para Plano Gerados de Benefício Livre, recomendado para pessoas com renda mais alta, onde o valor pago ao plano pode ser abatido do imposto de renda, desde que esse valor represente 12% de sua renda bruta anual. Mas, no momento em que o dinheiro for sacado, o imposto pago referente o total que havia no fundo.

Já o VGBL, não pode ser abatido do imposto de renda e é indicado para clientes com rendas mais baixas. Essa sigla significa Vida Gerador de Benefício Livre. Nesse regime, quando o dinheiro é sacado, o imposto cobrado é referente ao que o dinheiro investido rendeu.

Para optar por um e não por outro, o cliente deve conhecer suas finanças, como declara seu imposto e quais são seus objetivos, antes de decidir. A principal diferença entre eles é o tratamento tributário. Caso julgue necessário, o interessado pode pedir ajuda a um consultor financeiro, ou ao gerente de sua conta bancária.

Importante: Quando uma pessoa inicia um PGBL ou VGBL pode atrelar a seu plano um pecúlio por morte ou invalidez. Essas opções funcionam como um seguro. No primeiro caso, quando a pessoa que paga morre, o dinheiro acumulado é dado à família. No segundo caso, se a pessoa que paga perde suas condições de trabalho, o dinheiro é entregue a ela mesma.

Quem pode fazer uma previdência privada?

A previdência privada pode ser feita por qualquer pessoa, em qualquer momento da vida, não existe idade mínima, e não é necessário comprovação de renda.

No caso da previdência privada ser contratada para menores, a mesma deverá ser feita por um maior responsável.

Onde fazer uma previdência privada?

Para contratar um plano de previdência privada, o interessado deve se dirigir a uma agência bancária, do banco de sua preferência ou seguradora. Esse tipo de produto é oferecido pelo Banco do Brasil, Caixa, Itaú, Bradesco, Santander, entre outros.

Cada instituição financeira pode apresentar planos diferenciados, com propostas direcionadas a grupos diferentes e até mesmo finalidades diversas. O cliente deve ter em mente que é importante pesquisar sobre cada um, e escolher o que mais se adequa ao seu objetivo com a previdência privada.

Por que fazer uma previdência privada?

Muitos são os motivos que levam a uma pessoa fazer uma previdência privada. Dentre eles, assegurar uma aposentadoria mais tranquila é o mais citado. Mas, os motivos não param por ai, podemos listar outros, como:

  • Manter o padrão de vida na aposentadoria;
  • Deduzir do imposto de renda, caso opta pelo PGBL;
  • Diversificar os investimentos;
  • Poupar com disciplina;
  • Deixar um patrimônio para quem se ama;
  • Realização de projetos de vida.

Taxas Cobradas na Previdência Privada

Não se engane, nenhum serviço ou produto disponibilizado pelo banco ou seguradora é gratuito. Até porque, é dessa maneira que os bancos e seguradoras lucram.

As taxas cobradas nos planos de previdência privada são as de administrarão e de carregamento.

Previdência Privada – Taxa de Carregamento

A taxa de carregamento é um dos principais influenciadores na rentabilidade da previdência. Ela é cobrada sobre cada aporte feito (depósito) e tende a ser maior quando o produto contratado é mais “simples”.

Ou seja, as instituições financeiras de varejo, que possuem aportes baixos, cobram maiores taxas de carregamento e, quanto maior essa taxa, menor será o rendimento e resultado a longo prazo.

Atualmente, vale a pena pesquisar e optar por um plano onde essa taxa seja a mais baixa ou isenta pois, já existem diversos planos de previdência privada no mercado que não cobram taxa de carregamento.

Previdência Privada – Taxa de Administração

A taxa de administração é cobrada anualmente, sobre o total aplicado.

Os bancos e seguradoras costumam cobrar , em média, 3% ao ano, com a justificativa de ser uma taxa cobrada para gerir os recursos aplicados.

Cada instituição pode escolher a porcentagem que deseja aplicar para cobrança da taxa de administração, por isso, é interessante pesquisar antes de contratar um plano de previdência. Pois, apesar de raros, existem fundos que não cobram essas taxas e elas são fundamentais no impacto da rentabilidade da sua previdência.

Imposto de Renda

Todos os planos de previdência estão sujeitos a cobrança do imposto de renda e ela é aplicada de acordo ao tipo de plano escolhido, de acordo a tributação: regressiva ou progressiva.

Tabela Progressiva ou Tabela Regressiva – Qual regime de tributação escolher

Indicada para investimentos de longuíssimos prazos, a tabela Regressiva é para quem pensa em resgatar o dinheiro a partir do 10º ano de investimento, quando começa a ser cobrado a menor alíquota praticada.

A cada 2 anos, a alíquota é reduzida da seguinte forma:

  • Investimentos resgatados em até 2 anos, pagarão alíquota de 35% de IR.
  • Investimentos resgatados entre 2 e 4 anos, pagarão alíquota de 30% de IR.
  • Investimentos resgatados entre 4 e 6 anos, pagarão alíquota de 25% de IR.
  • Investimentos resgatados entre 6 e 8 anos, pagarão alíquota de 20% de IR.
  • Investimentos resgatados entre 8 e 10 anos, pagarão alíquota de 15% de IR.
  • Resgates feitos acima de 10 anos, pagarão alíquota mínima de 10% de IR.

Já a tabela progressiva é perfeita para quem tem metas de curto e médio prazo. Ela tem alíquota igual do imposto de renda, diretamente ligada ao montante de lucro que você tem na previdência.

A tabele atual (2018) relativa à tributação progressiva vigente é:

Base de cálculo (R$)Alíquota (%) Valor do IRPF (R$)
Até 1.903,98--
De 1.903,99 até 2.826,65 7,5De 142,80 até 212
De 2.826,66 até 3.751,5515De 354,80 até 562,66
De 3.751,06 até 4.664,6822,5De 636,13 até 1.049,55
Acima de 4.664,6827,5A partir de 1.282,79

A título de antecipação de resgate, nessa tabela, é cobrado uma alíquota única de 15%.

Qual plano de previdência escolher?

Como já dito anteriormente, o interessado em adquirir um plano de previdência privada, deve avaliar seus objetivos. O primeiro passo é decidir o quanto deseja investir.

Após decidir sobre o valor que terá disponibilidade para investir, deve levar em conta se deseja ter um abatimento no imposto de renda.

Outros aspectos que devem ser analisador são: a idade que deseja começar a usufruir do fundo, se irá querer receber por parcelas, por quanto tempo, ou se deseja receber o montante acumulado.

O ideal é fazer simulações em bancos, segurados, para ver qual irá melhor se enquadrar ao seu perfil.

Vale a pena fazer uma Previdência Privada?

Infelizmente não existe uma resposta pronta. Fazer um plano de previdência privada, pode valer a pena em alguns casos e em outros não.

Existem muito mitos em torno acerca da previdência, e algumas verdades. Por isso, antes de mais nada, o ideal é que você pesquise tudo sobre a previdência privada, todos os tipos de planos disponíveis, taxas cobradas e a rentabilidade.

A partir daí, você poderá analisar se a previdência será uma boa opção para alcanças suas metas pessoais, escolhendo um plano que possua boa rentabilidade, taxas de carregamento e administração isentas ou próximas a zero, optando por uma tabela (progressiva ou regressiva) que te favoreça.

Riscos da Previdência Privada

Antes de optar por um plano de previdência privada é importante que você tenha em mente que este é um tipo de investimento a longo prazo e o maior risco é você precisar do dinheiro antes do tempo. Caso isso ocorra, provavelmente, você perder muito dinheiro.

Por isso, não faça um plano de previdência privada sem antes se planejar e ter aplicações de curto e médio prazo que garantam o seu presente e futuro próximo contra emergência financeiras.

Outro risco é da própria seguradora do plano de previdência falir, o que apesar de ser uma possibilidade, é bem difícil de ocorre.

O plano de previdência privada não é coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito e caso a seguradora quebre você perderá tudo que foi investido. 

Como ocorre o Resgate da Previdência Privada

O ideal é que o resgate seja feito ao final do período contratado. Você poderá fazer o resgate do dinheiro aplicado em seu plano de previdência privada de 3 formas:

  • Receber o montante total em um número fixo de parcelas mensais;
  • Receber o montante total em uma única parcela;
  • Receber o montante total em parcelas mensais de forma vitalícia.

Essa forma de resgate deve ser escolhida no ato da contratação, e pode ser alterado durante a vigência do plano. Fique atento, pois os bancos costumam deixar o contrato em a renda vitalícia, como padrão de resgate e o interessante é que você opte pela melhor maneira de resgate para você.

Se você tem facilidade em investir e gerir o próprio dinheiro, a melhor forma de resgatar a sua previdência será receber uma única parcela. Dessa forma, poderá aplicar o valor da melhor maneira

Caso você não tenha facilidade ou não tenha vontade de aprender, poderá optar pela renda vitalícia ou receber um número fixo de parcelas mensais, caso tenha algum projeto específico.

Outra forma é o resgate antecipado, que pode ser solicitado a qualquer momento, em uma única parcela. Nesse caso, é preciso ficar atento com a taxa de Imposto de Renda que será cobrado e o quanto irá perder


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